Divertida mente

É possível abordar sobre diversas óticas essa obra, contudo o objetivo deste artigo é destacar os aspectos científicos abordados no filme.

Imagem de divulgação usada pelas produtoras da obra

Divertida Mente é um filme de animação produzido pela Walt Disney e Pixar, que começa com o seguinte questionamento: Você já olhou para uma pessoa e pensou “O que passa na cabeça dela?”. A obra retrata de forma lúdica como o sistema límbico funciona, ou seja, como as emoções funcionam dentro da mente, isso se dá com a personificação da Alegria (narradora do longa), Tristeza (“não entendo muito bem o que ela faz, e já vi, não posso mandar ela embora”), Medo (“ele manda bem no quesito segurança”), Nojinho (“ela basicamente evita que Riley se envenene física e socialmente”) e Raiva (“ele se preocupa muito com possíveis injustiças”). Juntos eles formando uma equipe liderada pela Alegria e estão no controle da sala de comando (sistema límbico), que a princípio conta apenas com um botão, e ao longo da obra se transforma em uma mesa de controle mais elaborada, fazendo referência a necessidade de ajustamento/evolução no controle emocional.

A obra destaca o hipocampo, quando mostra o lugar onde ficam guardadas as memorias bases que criam as ilhas norteadoras da personalidade da Riley. O longa retrata ainda de forma clara a relação entre as memórias e as emoções – já comprovada pela neurociência – quando de forma ilustrativa armazena as memórias em esferas coloridas de acordo com a emoção predominante durante determinada vivência. Assim como a divisão das memórias bases, memórias de longo e curto prazo, ressaltando a necessidade de esquecimento.

Aos 11 anos (fase transitória entre a infância e a adolescência), Riley precisa se mudar com sua família para São Francisco, onde vivência sua primeira onda significativa de armazenamento de memórias sem alegria. É quando a Alegria se esforça com esmero para manter a Tristeza longe do painel de controle, contudo, sem sucesso. Chegando a culminar na formação da primeira memória base triste.

Ilustrado de forma lúdica através de um acidente dentro da sala de comando o sistema límbico entra em colapso, não havendo presença de alegria ou tristeza, o que configura um quadro predominante de embotamento. Suas ilhas começam parando de funcionar e posteriormente desmoronam, o que pode ser visto como a necessidade da desconstrução de um funcionamento predominantemente infantil para um mais elaborado, um dos momentos que retratam de forma rica essa transição é seu sonho com a queda de dentes (lembrando que ela se encontra na faixa etária da segunda troca dentária). Posteriormente algumas ilhas são restauradas e outras se erguem, fazendo referência ao amadurecimento da menina, contudo, antes disso é possível observar uma mudança significativa no padrão de comportamento de Riley.

Outro aspecto que merece destaque é o fato da Alegria e da Tristeza estarem sempre próximas. Ao contrário do que muitos possam pensar, ao se ponderar as emoções não se deve lançar um olhar pelo prisma da dicotomia, e sim da complementaridade. A tristeza é um sentimento válido que precisa ser vivenciado em algumas situações ao longo da vida, para que haja saúde emocional e mental. Na obra em questão a negação deste sentimento chega ao ponto da Alegria delimitar um lugar onde a Tristeza pode ficar, contudo, as emoções possuem força e em algum momento e de alguma forma vão se manifestar. Evitar uma emoção é semear a desarmonia emocional, que pode culminar em diversos sintomas.

A inteligência emocional consiste em saber identificar suas emoções e vivenciá-las de forma equilibrada, e para isso não existe receita, é preciso autoconhecimento e muitas vezes a ajuda de um profissional de psicologia, independentemente da fase de vida, pois somos seres em constante transição. Entre outras coisas o filme aborda a importância dos pais tanto na formação emocional dos filhos quanto em suas fases de transições, que demandam atualizações quanto a imagem e necessidade dos filhos.

Ao final da obra, a Alegria oferece as memórias a Tristeza, que as toca possibilitando que Riley exponha esse sentimento e receba validação e acolhimento. Isso pode ser visto como uma ressignificação de suas memórias bases contribuindo assim para seu reajustamento emocional. Desse momento em diante ela passa produzir memórias coloridas (com emoções misturadas) ilustrando seu crescimento emocional e a complexidade das emoções.

Curiosidades:

1 – Vocês perceberam que o sentimento dominante na mesa de controle da mãe é a tristeza (mesmo ela não sendo depressiva) e na do pai a raiva (mesmo ele não sendo agressivo)? Qual será o seu?

Navegando pelo mundo virtual foi possível encontrar uma imagem com possibilidades de combinação emocionais tendo como referência o filme

Material extraído na internet

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